O Sindicato dos Delegado de Policia do Estado de São Paulo – SINDPESP, entidade representativa dos Delegados e Delegadas de Polícia do Estado de São Paulo e atuante na defesa de seus direitos e prerrogativas, manifesta seu veemente repúdio ao vídeo publicado pelo candidato a deputado federal por São Paulo, Guipa – Guilherme Pallesi, cujo conteúdo, de caráter sensacionalista, desmerece e busca desqualificar a atuação séria e profissional da Delegada de Polícia de Hortolândia.
Espera-se que um candidato a deputado federal, que, em tese, defende a pauta das mulheres, compreenda a importância do trabalho das delegadas de polícia, que diariamente lutam pela igualdade de direitos e pelo respeito à condição feminina, por meio da responsabilização legal de agressores. Infelizmente, durante o período eleitoral, muitos candidatos têm utilizado as Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) em todo o estado como palanques eleitorais.
A Lei nº 9.504/97 (Lei das Eleições) proíbe a utilização da máquina pública para a promoção de candidatos, especialmente em períodos eleitorais. Além disso, a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) e o Código de Processo Penal garantem, expressamente, o sigilo do inquérito policial e dos dados relacionados à ofendida.
Ademais, a normatização do Estado de São Paulo, em seu art. 21 do Decreto nº 69.557/2025, estabelece que os Delegados de Polícia somente podem conceder entrevistas à imprensa mediante autorização da Secretaria da Segurança Pública (SSP). Nesse contexto, o candidato, que possui uma rede social com mais de 1 milhão de seguidores, alcança um público significativamente maior do que muitos jornais locais. Embora as redes sociais não sejam formalmente consideradas imprensa no sentido tradicional, elas desempenham um papel crucial na disseminação de informações (e desinformações), o que pode acarretar responsabilidades jurídicas sérias, inclusive no âmbito eleitoral.
Por fim, esta entidade de classe lamenta profundamente a sua declaração ao afirmar que “a maior rival da mulher é a própria mulher! Tem muita mulher que joga contra!”, referindo-se a uma delegada de polícia que atua na defesa dos direitos das mulheres, expondo a própria vida a perigo diariamente, não apenas quando ela está sob as lentes de uma câmera. É importante esclarecer que a fala do candidato e as críticas dirigidas à delegada não se relacionaram ao trabalho que ela bem executou, mas sim ao simples fato dela não tê-lo recebido para passar informações sobre o caso investigado.
Por fim, o SINDPESP espera uma retratação por parte do candidato diante da conduta adotada e das declarações dirigidas à Delegada de Polícia. Tal comportamento não se mostra compatível nem com a postura esperada de alguém que pretende exercer um mandato parlamentar, nem com a de um cidadão que se apresenta como defensor dos direitos das mulheres. A defesa da igualdade e do respeito ao gênero feminino não pode se limitar ao discurso ou à exposição nas redes sociais, mas deve se revelar, sobretudo, em atitudes concretas, coerentes e respeitosas, inclusive quando a mulher em questão é uma agente pública que, no legítimo exercício de suas funções, atua diariamente na proteção de outras mulheres.
SÃO PAULO, 21 DE AGOSTO DE 2026








