Nesta sexta-feira (24-10), para o desmantelamento de planos da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) de ataque a altas autoridades do Estado. Não de hoje, profissionais de Segurança que se dedicam a combater organizações criminosas têm suas vidas expostas às investidas cada vez ousadas e violentas dos faccionados para eliminar quem ousa combate-lo.
Foi assim com o ex-delegado geral da Polícia Civil, Ruy Ferraz Fontes, executado em setembro deste ano em uma emboscada em Praia Grande-SP; e com Vinícius Gritzbach, ex-colaborador e delator da época PCC, executado a tiros no Aeroporto de Guarulhos-SP, em novembro do ano passado.
As investigações indicam que o plano de ataque ao promotor de Justiça Lincoln Gakyia e o coordenador diretor de presídios Roberto Medina, dessa vez, foi detectado e neutralizado pelas autoridades.
Por outro lado, o resultado dessa operação, dentre outras, mostra a que ponto chegamos e o quão avançado e estruturado está o crime organizado, o que só reforça a urgência de o Governo do Estado valorizar seus recursos humanos.
A despeito do trabalho de excelência desenvolvido pela Polícia Civil bandeirante, a instituição vem sendo submetida ao sucateamento, há anos, sem mudanças na atual gestão.
Hoje, há um alto déficit de 15 mil policiais, que poderiam estar no atendimento da população e no combate ao crime. Essa defasagem se deve à alta e constante evasão dos profissionais, a qual é causada por inúmeros fatores, dentre eles a falta de um plano de carreira minimamente atrativo, o pagamento de um dos piores salários da federação, a sonegação de direitos básicos, como ao adicional por trabalho noturno e à hora extra e auxílio-saúde, dentre outros.
Mesmo caminhando para o último ano de mandato do governador Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), ainda não há sinalização com relação a essas questões, para as quais, vale lembrar, foram feitas promessas de melhorias durante a campanha eleitoral de 2022 — e ainda hoje não cumpridas.
Além disso, a nova Lei Orgânica da Polícia Civil de São Paulo, gestada desde fevereiro deste ano por um grupo intersetorial nomeado pelo governador, ainda não saiu do papel e sequer foi discutida com a classe e suas entidades representativas.
Este é um breve retrato dos profissionais da Polícia Civil de São Paulo, que estão nas ruas para proteger a população e enfrentar facções criminosamente extremamente organizadas, com o risco direto às suas vidas.
Jacqueline Valadares
Presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp)








